Dê-me o sumo do teu vago desespero
Que estonteia as horas em que duras
A vida é breve e no suspiro derradeiro
Não há choro, não há riso, não há cura
Ressoe então nos versos que antevejo
no fulgor alucinado que dimana da lua
como no inverno busco a mim mesmo
perseguindo o calor na fleuma da rua
Porque, insisto, o aroma do teu beijo
Que colho trôpego pela noite escura
É indizível, traz um gosto de desejo
Impregnado da mais terna doçura
E com todos esses íntimos segredos
Que desvendo nessa dança obscura
Escrevo as loucuras do nosso enredo
Na brandura quente da tua pele nua

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